Contrariando passados distorcidos: o documentário interativo como serviço público nas “guerras da história” da extrema-direita
DOI:
https://doi.org/10.48487/pdh.2026.n22.45410Palavras-chave:
extrema-direita, guerras da história, documentário interativo, media de serviço públicoResumo
O documentário interativo ligado ao Estado pode fortalecer o julgamento histórico público durante “guerras da história” em que a extrema-direita circula passados míticos por meio de plataformas digitais e contesta a autoridade do conhecimento histórico. Este artigo analisa quatro obras digitais do National Film Board of Canada (NFBC)—Do Not Track (2015), Circa 1948 (2014), Bear 71 (2012) e Supreme Law (2019)—como infraestruturas de serviço público para evidência, memória e orientação temporal. A análise mostra como a sequenciação da interface, a navegação exploratória e o endereçamento plural treinam práticas repetíveis: rastrear proveniência, montar cronologias, ponderar perspetivas e reconhecer condições institucionais que moldam arquivos. Metodologicamente, o estudo combina análise próxima de interface com traços de receção em cobertura de imprensa, notas curatoriais e materiais educativos. Os quatro casos revelam uma lógica comum de desenho: os media públicos podem organizar formas lentas de atenção histórica que as economias de plataforma desvalorizam. O artigo encerra com diretrizes para a encomenda de história pública digital em contextos de polarização, com ênfase em fontes transparentes, testemunho plural, autoria participativa, acessibilidade e estratégias de manutenção.
