A razão histórica populista na extrema-direita francesa: o caso de Éric Zemmour e do Reconquête
DOI:
https://doi.org/10.48487/pdh.2026.n22.45044Palavras-chave:
populismo, extrema-direita, Éric ZemmourResumo
Este artigo examina o significado da história na estratégia política do populista de extrema-direita francês Éric Zemmour e do seu partido, o Reconquête. Defende que o discurso de Zemmour é um exemplo clássico de “razão histórica populista”. Ex-comentarista mediático que se tornou político, a notoriedade de Zemmour deriva em grande parte de um revisionismo histórico radical que abrange desde a Antiguidade até à era contemporânea. Ele narra a história francesa em termos sombrios, como uma história de grandeza original seguida de declínio e traição. Como defensor da teoria da Grande Substituição, acusa os migrantes (muçulmanos) e as elites do “politicamente correto” de conspirarem para destruir o povo francês. A autoproclamada “guerra da história” de Zemmour privilegia uma filosofia polarizadora da história em detrimento da exatidão factual e desempenha um papel crucial na sua agenda autoritária. O artigo mostra que Zemmour mobiliza a história para incitar o medo e a paranoia, redefinir e restringir a soberania popular, exibir o seu patriotismo, apresentar-se como um líder providencial capaz de salvar a nação e, em última análise, minar as normas democráticas e o Estado de direito.
