Contestando o passado, reinventando o presente. A direita radical e o campo de batalha do ensino da história em Espanha e Portugal (2019-2025)
DOI:
https://doi.org/10.48487/pdh.2026.n22.45043Palavras-chave:
Usos da história, ensino da história, educação histórica, direita radical, países ibéricosResumo
O artigo explora como a direita radical em Espanha (Vox) e Portugal (Chega) instrumentalizou a história e o ensino da história entre 2019 e 2025 para promover narrativas nacionalistas e desafiar o discurso histórico democrático. Mostra como ambos os partidos procuram reconstruir um passado nacional glorificado, minimizando episódios de violência colonial, de ditadura e de guerra civil. Ao acusar o sistema educativo de disseminar ideologias “esquerdistas” ou “woke”, defendem uma reinterpretação mais “patriótica”, enraizada em valores tradicionais e religiosos. O Vox enquadra a história espanhola por meio de eventos como a Reconquista e o Império Espanhol para reforçar a unidade, enquanto o Chega invoca a nostalgia pelo Estado Novo e pelo império colonial para apoiar políticas identitárias excludentes. Ambos os partidos rejeitam a historiografia profissional, promovendo uma liberdade populista para reinterpretar a história, muitas vezes através dos meios digitais. O artigo conclui que a história se tornou um campo de batalha onde a análise factual é desafiada por narrativas carregadas de emoção e motivação política. Embora as mudanças curriculares continuem limitadas, a influência simbólica destes partidos está a crescer, representando uma ameaça epistémica à integridade do ensino da história e ao pluralismo democrático.
