Transformando a história numa narrativa de crise – sobre o revisionismo histórico da extrema-direita na Coreia do Sul
DOI:
https://doi.org/10.48487/pdh.2026.n22.45036Palavras-chave:
extrema-direita, revisionismo histórico, narrativa de crise, crise da lei marcial sul-coreana de 2024Resumo
Este artigo investiga a crise provocada pela imposição da lei marcial na Coreia do Sul em dezembro de 2024 para elucidar as formas como as forças de extrema-direita usam o revisionismo histórico como arma para construir uma “narrativa de crise”. Em contraposição à democratização da Coreia do Sul, o movimento intelectual de extrema-direita “Nova Direita” emergiu para combater paradigmas liberais e progressistas, justificando as ditaduras do passado e enquadrando a liberalização da sociedade como uma ameaça existencial à nação. Através de uma análise de discurso de fontes primárias, especificamente discursos historiográficos, publicações e manifestos de extrema-direita, este estudo demonstra como esse revisionismo histórico opera não apenas como uma mera distorção dos factos históricos, mas também como um projeto político que fabrica a ilusão de uma ruína nacional iminente. Esta narrativa estigmatiza sistematicamente as instituições democráticas e a sociedade civil como inimigos internos, instigando uma mentalidade de guerra civil de facto, que entende partidos liberais, sindicatos, feministas, a comunidade LGBTQ+, pessoas com deficiência, imigrantes, refugiados, etc., como inimigos que ameaçam a nação, justificando assim a violência contra estes. Além disso, ao examinar fontes primárias diretamente relacionadas com a crise de 2024, incluindo os decretos de lei marcial do Presidente Yoon Suk-yeol, pronunciamentos públicos e discursos de agitadores de extrema-direita, este artigo revela o modo como essa exata narrativa de crise funcionou ativamente para legitimar a suspensão inconstitucional do Estado de direito e incitar revoltas violentas.
