Neorrevisionismo: a política de seleção de antecessores nas “origens socialistas” do nazismo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.48487/pdh.2026.n22.45028

Palavras-chave:

metapolítica, sociologia das ideias, discurso da extrema-direita, revisionismo histórico

Resumo

Este artigo analisa a narrativa das supostas “origens socialistas” do nazismo como uma forma renovada de revisionismo histórico que voltou a entrar nos espaços discursivos conservadores e de extrema-direita no início do século xxi, num contexto marcado por um acentuado antagonismo político. Em vez de tratar a narrativa como uma controvérsia historiográfica a ser resolvida através da factualidade, o estudo aborda-a como um fenómeno sociológico cuja recorrência e utilidade política exigem explicação. Partindo dos complexos debates historiográficos relativos à relação entre fascismo, socialismo, antiliberalismo e política revolucionária, este artigo examina a forma como essa relação é polemicamente reduzida. Com base no modelo reputacional de seleção de antecessores de Charles Camic e na teoria do posicionamento de Patrick Baert, o artigo analisa o modo como a suposta “linhagem” que une o socialismo, o nazismo e a ala coletivista da esquerda atual pode ser construída, apesar das substanciais descontinuidades ideológicas entre estes campos políticos. O artigo defende que esta manobra constitui uma forma invertida de seleção de antecessores, na qual os atores designam os antecessores dos seus oponentes não por afinidade doutrinária, mas por via da reputação moral negativa associada ao nazismo na memória política do pós-guerra. Por fim, o artigo também situa esta narrativa no âmbito dos discursos que ligam a esquerda coletivista, o islamismo e o nazismo, destacando a sua função como instrumento metapolítico de formação de coligações em condições políticas polarizadas.

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Publicado

2026-11-04

Como Citar

Hwang, M. (2026). Neorrevisionismo: a política de seleção de antecessores nas “origens socialistas” do nazismo. Práticas Da História. Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past, (22), 107–138. https://doi.org/10.48487/pdh.2026.n22.45028

Edição

Secção

Artigos