O silêncio gay e lésbico nas práticas da História da Arte portuguesa: reflexões sobre a dessexualização disciplinar
DOI:
https://doi.org/10.48487/pdh.2025.n21.42441Palavras-chave:
História da Arte, Queer, Dessexualização, Sexualidades DissidentesResumo
A historiografia da arte em Portugal tem negligenciado sistematicamente narrativas queer, refletindo um processo prolongado de dessexualização disciplinar. Esta omissão marginaliza artistas de sexualidade dissidente e limita a compreensão do impacto das identidades sexuais na produção artística. O predomínio de um paradigma nacionalista, aliado ao foco em questões estilísticas e formais, contribuiu para silenciar práticas que adotam uma estética da atitude — provocadora, política, transgressora — centrada em questões de "diferença" sexual e na expressão subjetividades marginalizadas.
Este ensaio propõe uma reflexão crítica sobre as práticas tradicionais da História da Arte portuguesa e a sua insuficiência para abordar género, identidade e sexualidade fora da norma heterossexual. A partir de autores que desafiam o cânone cis-heterossexual, propomos algumas bases para imaginar uma História da Arte queer em Portugal. A análise desenvolve-se em três eixos: uma introdução à teoria queer e ao surgimento do “outro” como objeto da História da Arte; uma leitura crítica da dessexualização historiográfica no contexto português; e, por fim, uma reflexão sobre como interpretar e contrariar o silêncio persistente em torno de artistas queer. Ao questionar os paradigmas existentes, o ensaio procura desconstruir a ideia de casos isolados e contribuir para a abertura do campo disciplinar a leituras mais inclusivas da produção artística.
