Cyber GRIOT: Da tradição oral à reconstrução digital
DOI:
https://doi.org/10.48487/pdh.2025.n21.41953Palavras-chave:
memory, oral history, African literature, digital culture, cyberspaceResumo
Dada a ausência de documentação escrita em muitas sociedades africanas, a conceção da história da era do Iluminismo e o domínio da memória oral representam estruturas epistemológicas distintas e, muitas vezes, opostas. Enquanto a primeira se baseia em evidências verificáveis e registos textuais, frequentemente qualificados como “factos”, a segunda é um domínio subjetivo de reconstrução pessoal e comunitária. A interação entre estes domínios epistemológicos permite questionar o papel da memória e do esquecimento não só na formação das narrativas históricas, mas também no que revelam sobre as estruturas de poder subjacentes à história e sobre a forma como estas moldam determinadas identidades. O advento da Internet e da Inteligência Artificial complica ainda mais esta situação, uma vez que estas tecnologias têm o potencial de documentar certas memórias em diferentes plataformas digitais, confundindo a relação entre a história, enquanto “passado registado”, e a memória, como uma compreensão subjetiva “não documentada” do tempo. Este artigo analisa o programa de narrativa digital GRIOT, desenvolvido pelo professor do MIT Fox Harrell, para investigar a natureza colaborativa da historiografia IA-humana e examinar o papel da memória neste processo. Especificamente, o texto questiona se a memória, conforme capturada e modificada no espaço digital, pode servir como um meio eficaz para preservar a história ou se, pelo contrário, é canalizada para reforçar narrativas ideológicas específicas.
