Entre a mirada colonial e o discurso humanista: a representação visual de etíopes pelas lentes ocidentais
DOI :
https://doi.org/10.48487/pdh.2025.n21.40119Mots-clés :
Mirada colonial, Fotografia humanista, História Visual, EtiópiaRésumé
O presente artigo aborda a representação fotográfica de africanos, com ênfase nos contrastes e nas permanências das imagens do período colonial e pós-colonial. Assente na história visual, analisa-se algumas imagens de Hippolyte Arnoux, fotógrafo francês que esteve na Etiópia na década de 1880, cujos registos foram utilizados pela Société Géographique de Paris e outras do portefólio The Football Stars of Tomorrow de Eric Lafforgue, outro fotógrafo francês que fotografou no Vale do Rio Omo em 2012. Ao questionar se o savoir-faire fotográfico acompanhou as transformações sóciopolíticas ocorridas nas sociedades pós-coloniais, foi possível identificar usos do passado colonial na fotografia atual, além de paralelos entre circuitos sociais das imagens, usos e públicos consumidores nas diferentes temporalidades. Procura-se, simultaneamente, a interpretação dos contextos em que as fotografias foram realizadas, condição fundamental para compreender as realidades ocultadas pelos registos de ambos os fotógrafos. Ao enfatizar as reminiscências da mirada colonial na representação africana contemporânea, espera-se contribuir para uma crítica da visualidade da alteridade africana. Por fim, defende-se uma prática do “bem-querer”, proposta pelo fotógrafo brasileiro João Roberto Ripper, como alternativa para a valorização de representações humanas desracializadas.
