Revisitando o passado colonial e suas margens: memória e escrevivência em Tsitsi Dangarembga (Zimbábue, 1980-2020)
DOI :
https://doi.org/10.48487/pdh.2025.n21.39537Mots-clés :
História e Literatura, Zimbábue, Tsitsi Dangarembga, nacionalismosRésumé
O artigo analisa a produção literária e ensaística da romancista zimbabuana Tsitsi Dangarembga, com ênfase no romance Condições nervosas (1988) e na construção de narrativas sobre o passado colonial, empregando o conceito de “memórias subterrâneas”, de Michel Pollak. O objetivo consiste em investigar como Dangarembga mobiliza a literatura para reinterpretar o passado e questionar discursos históricos dominantes, destacando a representação de grupos marginalizados e o protagonismo de mulheres zimbabuanas em contextos coloniais e pós-coloniais. A metodologia baseia-se na crítica documental e no diálogo teórico entre História e Literatura, considerando as fontes literárias na problematização de contextos políticos na história africana contemporânea. O estudo também incorpora a noção de “escrevivências”, de Conceição Evaristo, ao evidenciar formas de resistência que transcendem a luta armada, como práticas cotidianas e memórias periféricas. Os resultados mostram que, tanto em Condições nervosas quanto em seus ensaios, Dangarembga revisita o passado colonial e questiona narrativas nacionalistas pós-independência, iluminando tensões entre discursos oficiais e experiências marginalizadas. O romance oferece novas perspectivas sobre memória e os usos do passado em sociedades pós-coloniais, reafirmando a literatura como instrumento crítico para reinterpretar histórias complexas e resistir às exclusões históricas.
